Un letto per tre [+18] – Parte I

No elevador, pensei um milhão de vezes em desistir. Sentia minhas mãos suando e as válvulas cardíacas trabalhando muito rapidamente. Olhei por alguns segundos o meu reflexo no espelho e saí, antes que pudesse apertar o sete e voltar pra casa. Ele já estava me esperando. Isis não veio, apenas Thiago. Fomos conversando durante o caminho, relembrando a adolescência que, agora, não parecia tão distante. Nossas falas se sobrepunham acerca de trabalho, estudos, algumas lembranças nostálgicas (o que incluía dizer o quanto eu amava o cabelo dele e o cheiro de shampoo que se espalhava quando o soltava). Chegamos até a casa de Isis e, ao sair do carro, Thiago me deu um abraço carinhoso, um beijo no rosto e abriu o portão para que entrássemos.

Passamos por um corredor até chegar a porta de entrada da casa. A cumprimentei com um beijo no rosto e entreguei o vinho que havia levado. Ela tinha um cheiro delicioso, estava de shorts e com um blusa preta bem solta. O preto contrastava forte com o branco quase translúcido de sua pele. Eu e Thiago nos sentamos no sofá enquanto Isis fazia o jantar e conversava conosco. A conversa foi regada a vinho, ficando cada vez mais descontraída, mais gostosa. As mãos de Thiago encontravam as minhas pernas, acariciavam meus braços entre uma frase e outra e já não havia muito espaço entre nós. Logo estava relaxada, deitada sobre um dos braços dele, confortavelmente, como dois amigos que sempre fomos. Estranhamente, eu não sentia nenhum desconforto, nenhum constrangimento e, talvez por saber o objetivo do nosso encontro, já me sentia muito excitada. A temperatura havia aumentado, talvez para todos nós.

Durante o jantar, conforme Isis fazia algum movimento, gesticulando sua fala, sua blusa deixava os seios quase à mostra e, embora, eu nunca tenha reparado, a situação me instigava a olhar e observar os seios dela enquanto falava, distraída, do curso de hipnose que havia começado. Talvez Thiago tenha percebido meus olhares furtivos e pediu para que ela não se cobrisse novamente. A blusa poderia continuar caidinha sobre seu colo, deixando o decote lindo exposto, a quem poderia incomodar? A ideia de tocar tanto nela quanto em Thiago era provocativa, fazia minha imaginação montar milhares de situações, todas elas muitíssimo prazerosas. Terminamos o jantar, mas, só mais tarde, na cama, me dei conta de que eu seria literalmente a sobremesa.

Deitamos os três, trocando carinhos, conhecendo a pele e cheiro um do outro. Me lembro de ouvir uma música muito agradável. O que nos iluminava eram pequenas luzes dentro de garrafas de vidro transparente que estavam em cima da estante. A troca de olhares entre nós me parece muito difícil de descrever. Sentia que, realmente, havia uma conexão ali. Era como se fôssemos imãs de energias opostas, atração inevitável. Me ofereci para fazer uma massagem em Isis. Modéstia à parte, porque faço uma massagem muito gostosa e também porque, durante esse curto espaço de tempo, o casal inegavelmente me cativou. Queria agradá-los. Queria acariciá-la, conhecer seu corpo por centímetro, deixa-la relaxada.

Comecei nas costas, devagar, espalhando o creme em movimentos firmes e constantes, sentindo a musculatura dela relaxar aos poucos. Thiago observava atentamente, com um brilho desejoso nos olhos. Era bonito de ver. Passou a mão por entre as pernas dela, a fazendo soltar um gemido baixo, quase preguiçoso, e me mostrou a mão úmida de um tesão que já nos acompanhava desde o início da semana. Soltou o fecho do sutiã de Isis. Muito antes que eu pudesse perceber, o corpo dela estava totalmente nu sob as minhas mãos quentes. E que corpo. Eu nunca havia antes tocado em uma pele tão macia, era como tocar em veludo, a bunda dela fazia um desenho perfeitamente arredondado, farta, empinada, chamativa. A massageei dos pés a cabeça. Virou de frente pra mim, olhei, sob a meia luz, os seios dela. Deliciosos – já posso adiantar que são – os biquinhos claros, durinhos. Por um tempo eu só a admirei. Pensei, honestamente, em como os homens perdem oportunidades maravilhosas de olharem o corpo de uma mulher, de observá-lo, de conhecê-lo.

Antes que meu pensamento dissipasse sozinho, senti Isis me beijando, um arrepio percorreu meu corpo, me sentia em transe. O ar era erótico, sexual, estávamos imersos – e por longas horas estivemos – em uma atmosfera única de tesão e satisfação. Thiago observava atentamente nossa troca de carícias enquanto se masturbava, fui despida aos poucos pelos dois. Enquanto meus seios eram sugados por ela e minhas mãos encontravam com sua boceta muito molhada, Thiago estava vidrado em nós. Não resistiu muito tempo até querer entrar pra brincadeira. Trocamos beijos indecentes, famintos, calorosos, puramente orgânicos, imensuravelmente deliciosos. Por vezes, não sabia distinguir quem estava me tocando, ou qual boca estava na minha pele. Fui ao nível máximo de prazer que já conheci. Thiago tem as mãos grandes, pesadas e firmes. As senti segurando a minha cabeça, os dedos por dentro do meu cabelo já emaranhando. Conduziu minha boca até seu pau. Grande, grosso e muitíssimo duro. Tinha veias protuberantes. Ouvia uns gemidos baixos que ele soltava, parecia que estava prestes a explodir.

Durante o tempo que sentia seu pau  preencher toda a minha boca, Isis se serviu de uma taça de vinho e veio nos observar. Nunca vi nada tão lindo quanto ela ali, nua, bebendo vinho, com um sorriso de canto de boca. Thiago a pegou pela mão e a colocou de quatro pra ele… ele dizia palavras de ordem e ela o obedecia. Os braços de Isis davam apoio a ela e estavam ao lado do meu corpo. Sentia o corpo dela emanando calor enquanto Thiago a comia. Ora observava a expressão de prazer dele, olhava suas mão grandes segurando a bunda de Isis com força, ora pegava o rosto dela com as duas mãos e fazia esforço pra fotografar com os olhos cada fio de cabelo grudado no suor de sua testa e pescoço. Ouvir os gemidos baixos dela e sentir seu corpo encostar no meu no mesmo ritmo em que ela era deliciosamente comida. Enfiou a cara no meu cabelo, ouvia os seus gemidos bem perto do meu ouvido e sentia sua respiração no meu pescoço, quente e ofegante. Com a voz doce, mas firme, me mandou abrir as pernas pra ela. Eu nem imaginava o que viria seguir…

Literata

O processo da escrita é muito dolorido, mas igualmente prazeroso. Coloca-se as cartas na mesa, escolhe-se com quais cartas jogar. Quando é sobre saudade é mais dolorido do que prazeroso. Tenho tido saudades assustadoramente simples e imensamente faltosas como a de cantar com você e te embaçar com a minha respiração próxima demais. Queria só te ver inteiro, nem que de longe e eu não beijaria de novo o beijo que eu mais amei na vida, nem trataria como lascivo esse reencontro, pediria a você coisas incompreensíveis, mesmo pra mim. Olhar pelo maior tempo possível os seus olhos e rosto, segurar e beijar suas mãos. Beijar suas mãos e dedos com um tanto de carinho que não cabe direito em mim. E respiraria você. Respiraria você em silêncio só pra ter um tanto do que é seu passando por mim sem ser em lágrimas. Pra ter você nos brônquios e bronquíolos e perto do coração.

Diante das tantas formas que você me machucou, mesmo depois de deixar mais do que claro que eu nunca seria uma escolha sua, continuar me atingindo à distância, reduzindo tudo que eu mais amo ao seu não-gostar e à satisfação do seu próprio ego foi, talvez, a mais cruel – se não formos falar de responsabilidade afetiva. Não sei entender sua falta, é uma saudade tão abrupta quanto a despolarização da célula quando os canais de sódio se abrem. Mas eu não repolarizo, não estabilizo, você fica me inundando. E eu, assim como todo o mundo (assim como todo o mundo?), atropelada pelos acontecimentos da semana, cansada da rotina pesada, querendo sonhar – querendo só sonhar – com você, me pego tentando fingir que isso tudo logo passa, que a gente se vê. A gente se acha?

É insano pra mim que, mesmo depois de todos os seus reducionismos acerca do que sinto e sou, meu coração ainda nutra um carinho meio morno e saudoso por você. Nós, que escrevemos, somos mentirosos em potencial. Porque tudo por nós é vivido à flor da pele e retratado tão mais intenso quanto possível. Mais intenso do que o possível. Escrever torna todos os amores eternos. Rende orgasmos à todos os sexos, paixões à todos os encontros. Reencontros à todas as despedidas. Então, quando leio você nos rascunhos feitos por mim, procuro o amor descrito e não encontro em lugar algum. Porque eu te escrevi, você é obra minha. Personagem fictício. Obra pronta é pro outro, não é nossa. 

Me resta, diante dessa saudade inexorável que você nem merece, fazer o que é esperado e aconselhado por todas as grandes massas frustadas no amor: sair e beber infinitamente mais do que eu aguento, dançar  músicas que eu nunca dançaria sóbria, beijar a boca de todos os desconhecidos que cruzarem meu caminho, chorar por causa de você até soluçar mas, nunca mais – em nenhuma hipótese – pedir pra você voltar. Escrever um fim pra você, com cenário pronto. Me escrever depois de você, amanhã cedo, mais feliz porque você passou. Daqui há um ano, talvez, com um milhão de amores eternos vividos e escritos e com, pelo menos, um milhão de orgasmos também, a gente se encontra. Eu escrevendo, enfim, sobre o prazer da solitude que não tem muito a ver com estar sozinha, mas com ser feliz demais quando se está e você eu não sei, porque nunca te conheci. 

Borrões

Sentei de frente pra ele. Olhei a barba, os tons de loiro mais claro nos fios mais próximos da boca, a pele clara com um vermelho nas bochechas, que denunciava o vento cortante lá fora. Estávamos em uma padaria alemã em que nunca havia estado com ele antes. Apenas só. As mesas grandes de madeira, as janelas amplas e o cheiro de bolo caseiro me fizeram sentir menos triste. Ele descansou as mãos entrelaçadas sobre a mesa. Olhei as mãos. Os dedos brancos e grossos, gelados – eu pensei – mas não encostei neles. Usava uma jaqueta preta e pesada e o perfume, bem, o perfume era o dele. A mesa tinha pequenos pedaços de vidro colorido por baixo de uma resina. Às vezes o rosto dele era só um borrão, por causa das lágrimas incansáveis que brotavam dos meus olhos. Quando olhava, então, para baixo, os pedaços de vidro tornavam-se borrões coloridos. Pareciam luzes de carro na chuva.

Enquanto ele dizia coisas indizíveis e os meus olhos choravam sozinhos eu gravava o cheiro do bolo e o borrão colorido dos vidros, pra lembrança ser menos triste. Era como se eu estivesse dentro de mim assistindo tudo e gritando com ele. E eu ordenava que meu corpo se levantasse e o abraçasse e que minha voz gritasse muito alto “ você não sabe o que está fazendo” – eu iria dizer . Meu corpo não se movia. Minha voz não saia. Só meus olhos choravam. Quando ele não era um borrão, eu conseguia me enxergar no reflexo do óculos. Mas eu era nada. Lembro de querer que ele chorasse também, pra me enxergar um borrão e não ver me ver nítida. Pra não ver meus olhos cansados e vermelhos. Não ver minhas mãos trêmulas. Pra não me ver tão frágil diante da falta à qual ele estava disposto a me submeter.

Me esforçava para ouvi-lo, mas só conseguia pensar nos borrões coloridos. E ele disse algo como hora certa, muito trabalho, intitular relações, eu amo você mas, mas, mas.  Mas o quê? Tinha um frio em mim de menos vinte graus, de dentro pra fora. Eu só soube recostar na cadeira linda de madeira, e eu sentia lágrimas gordas saírem dos meus olhos, sentia minha pele doer, e soluços tão doloridos (sabe do-lo-ri-dos?). A última carga de energia que eu tinha usei pra segurar meu cachecol com as duas mãos – o senti molhado das lágrimas gordas. Levantei os olhos e o rosto dele era um borrão de uma luz só. Uma luz só, do sol das seis da manhã me acordando – atrasada – e me lembrando que tem um dia novo pra sonhar.

Meias pretas e domingos

Eu deixo, então, a porta entreaberta pra você saber que é bem-vindo no banho. Vou deixar sua presença ocupar os vazios de antes, de ontem. Vou deixar sua risada gigante tomar conta da sala. Eu deixo você olhar esse corte aberto, em carne viva, falando por mim. Por enquanto, só olhar. Ele ainda dói. 

Eu vou começar deixando você saber as manias bobas que eu inventei. Deixo você quebrar, às vezes, a solidão dos domingos pra gente se aninhar no sofá e fingir que a vida não começa de novo na segunda. Eu aceito as conversas sobre documentários, eu critico com você as políticas públicas atuais, eu divido com você as dores do mundo inteiro aqui na sala mesmo. Não vou negar nenhum sorriso – nem lágrimas – pra você. Aqui, em habitat natural, eu deixo você olhar, displicentemente, meu caminhar nu e despreocupado pela casa. 

Eu paro de me cobrir pra você. Deixo você me ver de cabelo molhado, cara limpa, coração na mão… sem me preocupar se te agradam ou não as coisas de mim que já não escondo mais. Nem pra você, nem pra ninguém. Eu aceito a companhia silenciosa enquanto estudo e não nego enrubescer sob o seu olhar desejoso, acompanhando a direção dos meus olhos na leitura, mas dispenso sua necessidade de atenção. Eu não reparo mais se você usa meias pretas depois de fazer amor foder comigo – quero falar amor agora, mas você sabe do que se trata esse estrago que a gente faz.

Permito que você me veja e que você me saiba – mesmo sem saber quase nada – e que tire suas próprias conclusões sobre as coisas que lê sobre mim. Deixo você tecer, ao pé do ouvido, seus elogios sobre meu cabelo e cheiro (e também sobre o meu sofá!). Rio largo pra você. Mas digo – cerrando os lábios em seguida – que prefiro quando elogia a minha escrita (mesmo que você não goste dos recursos de linguagem que eu aplico em tudo) e inteligência. Eu deixo você vir porque me prometi que tudo o que é de viver será bem-vindo e que eu vou aprender a cicatrizar as dores póstumas do que foi vivo e lindo com letra e sal – e água.

Deixo você achar bonito meus orgasmos e gemidos e divido meu sono com você, porque combinei comigo que é bom saber dividir a cama de vez em quando. Queria poder dizer que eu estou pronta pra você. Mas a gente é verdade demais pra fingir qualquer coisa. Seu ceticismo facilita tudo, mas, acredita em mim: tudo o que a gente faz toma sentido quando é dividido. 

Eu reflito sobre as suas críticas maravilhosas aos sistemas totalitários, mas você precisa aceitar que a composição do nosso líquido extracelular é praticamente igual à da água do mar. Eu te dou tempo pra digerir meus discursos extensos e compostos, sou paciente – você mesmo diz. Eu aceito esse afeto todo, porque sou fácil de gostar mesmo. E doce. Você diz isso também. Deixo você ser factual e responsivo.

Aceito suas complexidades e desconstruções (que eu amo tanto), eu ouço atenta sobre os seus amores de antes, falo sobre alguns dos meus – os que consigo citar já sem desconforto (amor é pra ter desconforto?). Eu deixo, sim, você tocar em mim de outros jeitos, em qualquer lugar mas, diante de todas as coisas de mim que te permito, só peço em troca ser livre de carregar o fardo de precisar ficar.

Silêncios

Hoje eu iria te chamar pra vir aqui e, sei lá…
Cozinhar pra você.
A mesa pronta, um programa de domingo na tv.
Te contaria umas coisa que eu sei agora – e que você já sabe
há tanto.
Te pediria uns conselhos e, eu sei
Você secaria esse pranto.
Me contaria histórias de antes
Mexeria nos livros da estante
Paciência você iria sussurrar… pai.

E aí, nem que fosse num sonho,
Iria poder te dizer
Que a falta que faz é tamanha, que eu amo a sua maneira estranha
de guiar os passos que insisto em pisar.
Sua voz outra vez ouviria, pra quebrar o silêncio de anos, consertar possíveis enganos e o timbre eu poder relembrar.

Hoje eu sou só saudade de você.

Ana Lua [+18] – Final

Cheguei ao endereço pouco antes do horário combinado. Não quis parecer desesperado, então, ajeitei o cabelo dentro do carro, procurei uma música mais calma, relaxei os ombros, encostei no banco. Enviei pra Ana Lua uma foto da portaria de seu prédio. “Descendo” ela respondeu. Amigos,  não vou saber descrever fielmente o que ver aquela mulher descendo as escadas, ao meu encontro, me causou. Tentei disfarçar a fome por ela, mas sinto que isso é nítido em meus olhos há algum tempo. Saí com cuidado do carro, abri a porta para que ela entrasse e torci pra conseguir falar algo com o mínimo de sentido. Os cabelos estavam úmidos, eu sentia como se cada poro do meu corpo estivesse respirando o perfume dela. Usava um vestido verde bem escuro, que deixava seu colo e pernas – discretamente – a mostra. Uma tortura. A minha imaginação me torturava.

Não sei se o fato de eu estar  hipnotizado por Ana Lua fez a noite parecer extremamente agradável. Saímos dos assuntos que rodeiam o trabalho, as cervejas possibilitaram uma certa facilidade à conversa. Ela permitiu que eu a tocasse enquanto conversávamos e se aproximou de mim algumas vezes, falando qualquer coisa no meu ouvido. A timidez se escondeu nos sons de conversas altas dentro do bar, nos refrões dos sambas, no barulho dos brindes. Sentado ao lado dela, passei a mão pela sua cintura, aproximei meu rosto do seu pescoço, senti o cheiro que me fazia parecer um animal e beijei – por fim – o lóbulo da sua orelha… fiz uma rota demorada pela mandíbula e cheguei até a boca cujo gosto está cravado em mim, desde então. Eu sonhei – literalmente – com isso. O gosto de cerveja que senti em sua boca e o seu corpo um tanto solto em meus braços fizeram o meu tesão aumentar, feito maré em lua cheia.

Eu queria muito mais. Eu a queria inteira, nas mãos, na boca. Pensava em Ana Lua entregue, com tanta vontade quanto eu. Voltamos ao prédio e não consegui nenhum convite pra subir em seu apartamento durante o caminho. Estacionei o carro quase na frente da portaria. Eu precisava que Ana Lua me quisesse também. Nos beijamos desesperadamente, eu apertava suas coxas, subia as mãos além do vestido, respirava ofegante em sua orelha, passava minha barba em seu pescoço e via a pele dela arrepiar. O desejo dela já era evidente. Mordia meus lábios com vontade, passava as unhas no meu pescoço e sorria. Ela sorriu quando eu disse que eu queria chupá-la a noite toda. Ela sorriu em mim. Os vidros  já estavam embaçados de nós… sugeri que fôssemos pra algum outro lugar. Me convidou pra subir.

O apartamento exalava o cheiro da dona. Parece que todas as coisas estavam com o perfume dela. Sentei no sofá, ela foi até o quarto e retornou me entregando beijos famintos, me fazendo deitar. Estava com as pernas abertas, por cima de mim, o vestido justo parecia prestes a ceder. Senti que meu pau explodiria em instantes. Ana Lua era provocativa, abriu minha calça devagar, segurou meu pau com as duas mãos e disse que estava tão quente que ela queria provar. Não me opus. A boca dela por si só já dava a mim delírios, mesmo nos beijos. Quente, molhada, macia. Mas o que ela fazia com meu pau na boca… era como se fosse a coisa favorita dela na vida. Por baixo do vestido encontrei ela molhada, muito molhada. A despi, olhei seu corpo por alguns minutos, era melhor do que eu tinha – um milhão de vezes – imaginado.

Recostei no sofá em êxtase, a olhei incrédulo abrindo as pernas e sentando em mim. Não consegui silenciar quando, com uma das mãos, enfiou meu pau aos poucos na boceta que eu mais desejei nos últimos meses.  Ela sentava tão gostoso. Eu só conseguia respirar e olhar seu corpo se movimentando fervorosamente sobre o meu, olhava seus seios – agora expostos – os biquinhos durinhos, pedindo para serem chupados, lambidos, mordidos. Eu não nego pedidos. O gosto da pele dela fazia a minha boca salivar ainda mais. Não sabia se era mais gostoso segurar sua bunda com força enquanto ela sentava ou dar tapas pra ouvir seus gemidos. Segurei as mãos dela para trás e fiquei observando suas coxas, os joelhos apoiados no sofá, o corpo suado, vermelho… o prazer à flor da pele.

Ana Lua de quatro, soltando gemidos deliciosos, diante de mim. Desejei – entre outras coisas – parar o tempo. O que eu sentia enquanto ela rebolava era a  máxima antes do orgasmo. Eu queria gozar naquela bunda e, ao mesmo tempo, queria que essa sensação não passasse nunca. A coloquei deitada, abri suas pernas e a chupei com tanta vontade quanto podeira. O cheiro e o gosto dela faziam algo comigo. Enquanto eu passava a língua por ela, os movimentos impulsivos por causa do prazer me davam mais tesão ainda. Pedi pra ela gozar pra mim. Do jeito que quisesse. Sentou sobre o meu corpo prostrado, fazia um movimento indescritível, inenarrável, incansável, absurdo. Parou com as unhas cravadas no meu peito, a respiração ofegante próxima a minha orelha e a gente suando, os dois num orgasmo só…

Na quinta-feira da semana passada tomei coragem, passei na mesa dela antes de sair para o almoço e a convidei para uma cerveja depois do trabalho, esperando um simpático declínio, uma desculpa relacionada à família… já quase que conformado. Como previsto, convite recusado. Surpresa nenhuma. Voltei pra casa no horário de sempre, abri uma cerveja enquanto a TV ecoava tragédias pelo apartamento, não havia nada passando pela minha cabeça. Nenhuma coisa importante, nenhuma preocupação. Só uma vontade cruel de transar e essa fixação na minha colega de trabalho . Peguei meu celular, procurei alguma conversa dos últimos dias, alguém que toparia sair comigo numa quinta-feira a noite, de última hora. Larguei o celular. Cochilei por uns quarenta minutos no sofá. Sonhei novamente com Ana Lua. Acordei duro, tomei um banho pra resolver o impasse, dormi novamente, cansado, como se tivesse corrido uma maratona…

 

 

 

 

Ana Lua [+18]

Eu observava atentamente a nuca, agora exposta, graças ao recente corte de cabelo que ela decidiu fazer após o término do último relacionamento. Uma pele veludo, coberta apenas por uma penugem fina que mais parecia um tanto de glitter jogado ali, quando a luz encontrava com ela. Ana Lua senta-se em uma cadeira bem a frente da minha mesa. Às vezes abaixo a tela do meu monitor, discretamente, para poder observa-lá. Trabalhamos juntos há mais ou menos um ano e, desde quando ela chegou ao escritório, minha produtividade reduziu notoriamente.

De estatura baixa, estrutura dos ombros bem menor do que a do quadril – e cintura menor do que ambos- quase sempre séria, mordendo os lábios enquanto trabalha em silêncio, eventualmente usa um óculos. Mesmo nas confraternizações do escritório parecia inacessível. Sempre indo embora muito cedo, bebendo muito pouco e falando quase nada. Emana um cheiro doce e tem uma sensualidade natural, não há quem não perceba. Eu conhecia tanto Ana Lua, mas não sabia nada sobre ela. Quase nada. Sabia quantas pintas tinha entre a nunca e a orelha e também exatamente a cor do cabelo, um loiro escuro, quase mel. Sabia quando estava com muito calor ou agitada porque os fios de seu cabelo grudavam num suor discreto atrás das orelhas e as pontas molhadas queriam fazer pequenos cachos. Me pegava pensando em como ficaria seu cabelo todo molhado, após o banho. Após um banho comigo.

Despretensiosamente, eu sempre precisava usar a copiadora quando ela estava lá. Aguardava pacientemente que ela terminasse e enquanto esperava podia olhar o contorno de seus seios postos perfeitamente sobre o colo desenhado, o qual eu desejava. Privilégios da altura. Tinha certeza de que sua bunda caberia perfeitamente em minhas mãos. E imaginava seus seios na minha boca, um de cada vez. Podia quase sentir o gosto da pele dela. Sempre que possível eu a tocava, passava os dedos pelos seus braços, para que pudesse passar por ela, como se pedisse licença. Nos dias bons ela me olhava e sorria, eram o ápice da semana.

Talvez o fato de Ana Lua demonstrar zero interesse por mim aumentasse o meu tesão de forma incontrolável. Não tenho outra palavra pra usar. Sonhava com ela, acordava sempre duro. Sentia um tesão obsessivo pelas ideias do prazer que ela poderia me proporcionar e, quando eu pensava no que poderia fazer com ela, segurando suas pernas enquanto a comia na minha mesa ou em como seriam seus gemidos enquanto estivesse sentando em mim na cadeira do escritório, ficava um bom tempo sem poder me levantar. Tentei me aproximar algumas vezes quando soube que ela estava, enfim, solteira mas não conseguia um espaço. Nenhuma brecha. Quero que vocês imaginem a agonia que eu estava vivendo. Matando desejos a facada (e a mão), olhando pra  Ana Lua todos os dias bem ali na minha frente, sem poder me aproximar e realizar todas as coisas as quais tinha pensado. Me sentia frustrado.

Na quinta-feira da semana passada tomei coragem, passei na mesa dela antes de sair para o almoço e a convidei para uma cerveja depois do trabalho, esperando um simpático declínio, uma desculpa relacionada à família… já quase que conformado. Como previsto, convite recusado. Surpresa nenhuma. Voltei pra casa no horário de sempre, abri uma cerveja enquanto a TV ecoava tragédias pelo apartamento, não havia nada passando pela minha cabeça. Nenhuma coisa importante, nenhuma preocupação. Só uma vontade cruel de transar e essa fixação na minha colega de trabalho . Peguei meu celular, procurei alguma conversa dos últimos dias, alguém que toparia sair comigo numa quinta-feira a noite, de última hora. Larguei o celular. Recebi três mensagens, número desconhecido. “Oi Vini! É Ana! Ainda tem cerveja hoje em algum lugar?”. Fui tirando os sapatos e a camisa pra entrar no chuveiro e respondi rapidamente: “ que horas passo pra te buscar?”.

Continua… ?